Qual a relação entre o desenvolvimento humano e o desenvolvimento organizacional? É possível traçar um paralelo entre ambos?
As organizações, independentemente do negócio e segmento do qual fazem parte, tem um Ciclo de Vida composto por diferentes fases que podem ser comparadas aos dos organismos vivos. Dessa forma, estão sujeitas aos mesmos fenômenos do crescimento, envelhecimento e morte. Sob essa ótica, as empresas não são diferentes dos seres humanos, inclusive no que se refere ao tempo que passa em cada fase: algumas pessoas passam pela adolescência mais rapidamente enquanto outras parecem esticá-la até quase os 30 anos. Isso também pode acontecer com as Organizações. Existem empresas com cinco anos de mercado que podem estar na infância e outras, com o mesmo tempo de existência, já na adolescência ou na fase adulta. Isso dependerá de uma série de fatores tais como: vivência, modelos de gestão, mercado de atuação, cultura organizacional, produtos e serviços oferecidos entre tantos outros.
Compreender as fases do ciclo de vida das empresas é fundamental para intervenções organizacionais sustentáveis, uma vez que cada fase pressupõe diferentes necessidades a serem atendidas, com diferentes potencialidades. Desconsiderar tais necessidades e/ou forçar o desenvolvimento precoce em alguma fase pode impactar em desgastes desnecessários, colocando em risco seu amadurecimento saudável.
A INFÂNCIA
Na infância, são demonstrados os primeiros sinais vitais indicativos da saúde que a empresa vai ter para crescer, adaptar-se ao meio, e se comunicar com o mercado. Assim como os filhotes, as empresas também nascem pequenas e frágeis, precisando de muitos cuidados e às vezes até “técnicas neonatais” para sobreviver, como as incubadoras. Incubadoras organizacionais têm como objetivo ajudar as empresas nascentes a sobreviverem, principalmente, até o seu segundo ano de vida e existem em todo o mundo associadas às universidades ou a instituições privadas, como bancos e financiadoras.
Nesta fase as organizações contam com estruturas simples, informais e centralizadas em um ou poucos indivíduos. Normalmente há poucos controles formais e os sistemas de informação são incipientes, com pouca padronização e normalmente, muita dependência de seu fundador.
Trata-se também de um das fases mais vulneráveis com altas taxas de mortalidade infantil, vide índices do Sebrae Nacional.
A ADOLESCÊNCIA
A adolescência é marcada por uma fase de questionamentos, rupturas, desejos de independência e de fortalecimento da identidade. Nesta fase, conceitos e posicionamentos são revistos e o desejo de mudança expõe uma identidade ao mesmo tempo arrojada e imatura, que traz grandes e também inúmeras oportunidades para a organização.
Nesta fase ocorre à busca intensiva por crescimento: o portfólio de produtos é ampliado, novos segmentos são abordados, a estrutura se torna funcional e a influência do fundador nos processos vai reduzindo gradualmente. O ritmo e nível de energia da empresa nessa fase são muito altos, demonstrando via-de- regra, grande vitalidade, agilidade e capacidade de aprendizagem.
A MATURIDADE
Na fase adulta as expectativas de crescimento são menores. O grau de inovação dos produtos e a ousadia frente a novos mercados diminuem e há aumento de burocracia onde o foco é manter a estabilidade, adotando-se como meta melhoria na eficiência e lucratividade nas operações. A atmosfera torna-se mais formal, há a presença de profissionalismo em cargos de decisão e a caracterização do fundador como acionista.
Normalmente ocorre aumento no grau de formalidade dos controles e indicadores de desempenho e as decisões tendem a serem mais conservadoras. Esta fase, assim como nos seres humanos, também é marcada pelo casamento e pela reprodução, onde acontecem as parcerias mais duradouras e nascem então os “spin-offs”, fusões e aquisições.
A TERCEIRA IDADE
A fase de sucesso ou fase idosa é caracterizada pela formalização e pelo controle burocrático, pela diminuição do grau de inovação e pela estabilização alcançada por meio de descentralização, criação de estruturas políticas, melhoria da eficiência e lucratividade das operações. Esta é a fase onde as emoções são mais raras, tornando a empresa muito mais racional e perigosamente fechada em si mesma, podendo perceber-se equivocadamente como autoconsciente de suas fraquezas, necessidades e dificuldades.
Normalmente a empresa fica com ritmo mais lento e vai se tornando mais resistente a mudanças, precisando de grande convencimento para aderir a inovações em função de sua experiência acumulada pela maturidade. A empresa nesta fase, também precisa de apoio externo para seu melhor direcionamento e sustentação, pois é comum a acomodação e estabilização na zona de conforto que os longos anos de mercado lhe conferem. É importante que a empresa tenha a consciência desta necessidade para buscar o suporte adequado em consultorias ou conselheiros apropriados. Além disso, o direcionamento organizacional nas fases anteriores definirá como consequência, de que forma será o desenrolar da fase idosa, podendo configurar-se como declínio ou renovação.
O DECLÍNIO
O declínio é a fase que pode acionar a saída da empresa do mercado. No caso dos produtos, sua procura diminui o que faz as vendas caírem. Os lucros sofrem uma rápida queda em direção ao ponto mínimo, podendo haver prejuízo em razão da permanência de preços em níveis baixos. Em casos nos quais a inabilidade para satisfazer exigências externas leva à situação de declínio, as relações políticas e de poder na organização ficam mais acentuadas e os membros mais preocupados com as metas pessoais, dando origem à jogos psicológicos, como forma mais comum de utilizar o tempo, gerando conflitos, gasto de energia para ação, desgastes e stress.
No declínio organizacional, é comum ter a consolidação de produtos e mercados, baixo crescimento em relação a períodos passados, com sistemas de informação e controles ultrapassados. Normalmente a comunicação entre as áreas torna-se deficiente, há aversão ao risco e a tomada de decisão é centralizada tornando-a cada vez mais conservadora.
Nessa fase a empresa pode perder totalmente sua energia, seu brilho e seu vigor.
Compreender as fases do ciclo de vida das empresas é fundamental para intervenções organizacionais sustentáveis, uma vez que cada fase pressupõe diferentes necessidades a serem atendidas, com diferentes potencialidades
MAS… É O FIM?
Não necessariamente a última fase é condicionada à morte. Para Analise Transacional (Leia também – Produtividade e Analise Transacional http://bit.ly/2jrRuZf) todos os seres e por que não os sistemas, são impactados pela Physis. Physis é uma palavra grega que define nosso impulso interno em direção ao crescimento. Para Richard Erskine, “refere-se à vitalidade e à energia psíquica que é investida na saúde, criatividade e na expansão de nossos horizontes”. Essa força inata é a base da “Eterna Juventude” e é ela que pode mobilizar a renovação organizacional.
Na fase de renovação a organização percebe a necessidade de enxugamento da estrutura, é comum a implantação de estruturas matriciais com foco na descentralização e maior agilidade nas decisões, voltando a privilegiar os estilos inovação e risco. A necessidade dos clientes é colocada em primeiro e a comunicação com o mercado passa a ser mais transparente, contínua e dinâmica. A empresa em renovação preocupa-se em formar sucessores e em manter o desenvolvimento e envolvimento dos gestores de forma continuada. Cria mecanismos para estar mais próximo ao mercado e para antecipar tendências, transformando-as em soluções aderentes aos clientes. (Sugerimos também a leitura de Produtividade e as Pessoas)
Esta etapa marca um período de grande e permanente transformação e rejuvenescimento, fazendo com que a empresa desenvolva a consciência que este é seu novo padrão de funcionamento. Normalmente, empresas nesta fase tornam-se referência em seu mercado e segmento de negócio, fortemente caracterizadas pelo seu arrojo, determinação, superação e a solidez dos muitos anos vividos e referenciados por atitudes, ações e decisões que levaram ao seu contínuo sucesso. Essas empresas compreendem que o processo de desenvolvimento é cíclico e que reinventar-se e acompanhar o ritmo de seu tempo é o caminho para se manter continuamente jovem e saudável.
E então, qual a idade da sua empresa?
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